BEM VINDO

Gostaria de deixar claro que o evangelho de Jesus Cristo é para mim motivo de honra,“porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê...”(Rm 1:16). Tenho, porém, a cada dia, mais vergonha do evangelicalismo pregado nos púlpitos de algumas igrejas e vivido por muitos de seus membros.

O espírito mundano tem assolado e impregnado as mentes e corações do povo de Deus, como um mal que se alastra em todos os setores da vida religiosa: doutrina, liturgia, fé e padrões de conduta. A tal ponto que muitos crentes sinceros, mas negligentes quanto ao conhecimento das Escrituras, têm se deixado enredar “pela astúcia de homens que induzem ao erro” (ef 4:14).


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domingo, 13 de junho de 2010

Parábola do Rico Louco


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PARÁBOLA DO RICO INSENSATO

Texto: Lucas 12.13-34
Versículo Chave:
Porque, onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração.” Lc 12.34

INTRODUÇÃO
     Certa vez estava Jesus caminhando com os Seus discípulos, sendo acompanhados de numerosa multidão e, ao longo do percurso lhes ensinava acerca do Reino dos Céus.
       Eis que em certo momento um homem no meio do povo lhe fez um pedido. Queria que Jesus servisse como mediador entre ele e seu irmão, com respeito à partilha da herança familiar. Considerou Jesus como um Mestre da Lei, pois os Rabinos se ocupavam com a aplicação da Lei nos assuntos do dia a dia dos judeus. Na realidade, não compreendeu o sentido espiritual e divino de Seus ensinamentos.
         A resposta de Jesus, nos leva a crer que Ele, por conhecer a natureza humana, identificou naquele homem muito mais do que a simples intenção lícita de um conselho sobre herança, pois não somente negou-se servir de juiz, como recomendou aos presentes cuidado com o sentimento de avareza.
      O homem vê o exterior ou o que é dito, mas o Senhor sabe as intenções secretas do coração. Lembremos o caso de Nicodemos (Jo 3.1). Ao ir de noite, encontrar-se com Jesus, fazendo um preâmbulo na conversa – “Rabi, sabemos que és Mestre etc etc”. Jesus lhe disse claramente: “Importa-vos nascer de novo”. O problema dele era incredulidade. Um outro caso, foi aquele jovem (MC 10.17-22) que aproximou-se de Jesus para se vangloriar de suas obras, pois ao perguntar acerca da vida eterna, alegou ter observado todos os mandamentos como garantia para alcancá-la. Jesus, cheio de amor, mostra o que está lá no fundo do seu coração. Que nem ao menos o primeiro mandamento ele era capaz de cumprir – Não terás outros deuses diante de mim (Ex 20.3), pois ao pedir que ele vendesse seus bens, desse aos pobres e O seguisse, o homem foi obrigado a reconhecer que seu deus eram os seus bens, e saiu contrariado.  
        Voltando ao texto em foco, ao reconhecer um sentimento de avareza por trás do pedido, Jesus lhes propôs uma Parábola e ensinou aonde deveria ser depositar a confiança e empenhado o coração.     


A PARÁBOLA

O campo de um homem rico produziu abundantemente, ao ponto dele ter dificuldades de armazenar todos os seus grãos. Então, ele pensou consigo em como guardar os produtos. Concluiu que deveria derrubar os seus celeiros, construir outros maiores e recolher todos os seus frutos e bens.
       Até aqui, seria uma estória de sucesso, se, em primeiro lugar, ele tivesse entendido que para  trabalhar, sua vida e saúde vieram de Deus (Jó 33.4). Depois, as bênçãos da natureza, sol, chuva, estações, o brotar, vêm do Deus de toda a terra (SL 65). Mas não! O homem rico só pensou em si mesmo: “meus frutos... meus celeiros... meu produto... meus bens...”.
       Trabalhou tanto, que sua avareza com certeza não o deixou descansar ou aproveitar o gozo de uma vida frutífera em Deus. Uma vida que tivesse conhecido o compartilhar, o preocupar-se com o próximo, ou talvez mesmo não tenha tido tempo para dedicar-se a uma esposa e filhos já que eles não são citados nos seus planos. Esse homem egocêntrico apesar de saber que tinha uma alma, não pensou na vida eterna, no que seria depois da morte. Sua segurança estava depositada nos bens terrenos e seus planos eram com sua própria alma e carnalidade: “come, bebe, e regala-te”. 
          Aproveitar a vida e usufruir de bens adquiridos de forma honesta (nada nos diz que não tenha sido este o caso do homem em questão) é lícito e agrada a Deus abençoar o seu povo (ver Am 9.14; Ec 2.24), todavia, não nos esqueçamos jamais que a prosperidade que vem de Deus é sempre resultado de uma alma próspera:  “Amado, acima de tudo faço votos por tua prosperidade e saúde, assim como é próspera a tua alma” (3 Jo 2).
        Tomemos o exemplo do homem que possuiu poder, dinheiro, prestígio, honras, um reino.  Davi. Mais que qualquer outro poderia ter sido auto confiante. Mas, ao preparar-se para entregar as ofertas para a construção do Templo, ele, um homem riquíssimo, reconhece que nada teria para ofertar se das mãos de Deus não as houvesse recebido:
        “Tua é, ó Senhor, a grandeza, e o poder, e a glória, e a vitória, e a majestade, porque teu é tudo quanto há no céu e na terra; teu é, ó Senhor, o reino, e tu te exaltaste como chefe sobre todos. Tanto riquezas como honra vêm de ti, tu dominas sobre tudo, e na tua mão há força e poder; na tua mão está o engrandecer e o dar força a tudo. Agora, pois, ó nosso Deus, graças te damos, e louvamos o teu glorioso nome. Mas quem sou eu, e quem é o meu povo, para que pudéssemos fazer ofertas tão voluntariamente? Porque tudo vem de ti, e do que é teu to damos”. 1 Cr 29.11-14.
        Esse deveria ter sido o sentimento daquele homem rico, mas não. O Senhor Jesus continua contando a Parábola e diz que as palavras de Deus para ele foram: Louco!  Naquele mesmo dia ele morreria e tudo que tinha acumulado que proveito teria? Ah, se aquele homem tivesse o conhecimento de Jó: 
       “Nú saí do ventre de minha mãe, e nu tornarei para lá. O Senhor deu, e o Senhor tirou; bendito seja o nome do Senhor”. Jó 2.21
       De nada aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma ou o que daria em troca de sua alma? (Mt 16.26). Assim foi o homem. Rico para si. Louco, insensato e pobre para com Deus.!

CONCLUSÃO
      Ao concluir a Parábola, Jesus dirigiu-se a seus discípulos e passou a advertí-los sobre a ansiedade e preocupações quanto as necessidades materiais, como comida e vestuário. Este é um ensino que muitas vezes é tomado em seus pontos extremos.
         De um lado conhecemos muitos filhos de Deus que tomam ao pé da letra e passam a viver ociosos, negligentes no trabalho e estudo, alegando que Deus prometeu dar-lhes todas as coisas. Mas esquecem que Deus disse que o negligente é irmão do desperdiçador (Pv 18.9) e que a alma do preguiçoso deseja e coisa nenhuma alcança (Pv 13.4; 6.6,9).
       De outro vemos a abominação da teologia da prosperidade, dizendo que Deus prometeu dar bens e riquezas aos filhos seus. Contra este embuste temos no próprio contexto Jesus dizendo:  “vendei os vossos bens e dai esmolas; fazei para vós outros bolsas que não desgastem, tesouro inextinguível nos céus, onde não chega ladrão nem a traça consome”. (Lc 12.33). O ensino é: nossa pátria é celeste, onde devemos acumular tesouros, e não aqui, como se resumidos apenas a esta vida (1Co 15.19).
       A seguir Jesus faz duas lindas analogias. A primeira é com os pássaros, que não plantam, colhem ou têm celeiros, mas Deus providencia seu sustento. Também com os seus filhos, aqui é importante ressaltar, Jesus está dirigindo-se específicamente aos discípulos, e não mais à multidão como um todo, Ele disse que Deus sabe do que nós, crentes, temos necessidade e prometeu providenciar. A segunda comparação é com os lírios, acrescentando que, assim como Deus deu uma forma tão linda à flôr, efêmera e passageira, quanto mais a nós nos dará o necessário para vestir.
     O que acontece muitas vezes, que causa frustação em muitos crentes é o conflito entre necessidade e prazer ou supérfluo. Muitas vezes desejamos algo que pode até ser lícito, mas será que convém? Será que faz parte do rol de necessidades listadas pelo nosso Deus, segundo a Sua Palavra, ou estamos cobiçando? Pedis e não recebeis, porque pedis mal, para o gastardes em vossos deleites. (Tg 4.3)
     Será que a mesa do crente está servida com base em necessidades nutricionais ou em alimentos cobiçados das propagandas? E as roupas, são compradas priorizando as necessidades ou o modismo, gerando prestações e compromissos que acabam por perturbar a paz?
      Jesus não pediu a todos os seus discípulos que vendessem os seus bens e dessem aos pobres antes de seguí-Lo, mas, a todos quantos Ele sabia que depositavam sua confiança nas riquezas Ele o fez. Muitos O abandonaram e permaneceram com suas ansiedades. Mas graças a Deus porque outros milhares O seguiram, depositando sua confiança em Deus, buscando em primeiro lugar o Seu reino e todas as suas necessidades têm sido supridas. Como fez Levi (Mc 2.14), Zaqueu (Lu 19.8-9), Saulo (At 9), ... , Eu (Dez/92). E você?
          Jesus finalizou dizendo: 
          “Porque, onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração”.



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