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Gostaria de deixar claro que o evangelho de Jesus Cristo é para mim motivo de honra,“porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê...”(Rm 1:16). Tenho, porém, a cada dia, mais vergonha do evangelicalismo pregado nos púlpitos de algumas igrejas e vivido por muitos de seus membros.

O espírito mundano tem assolado e impregnado as mentes e corações do povo de Deus, como um mal que se alastra em todos os setores da vida religiosa: doutrina, liturgia, fé e padrões de conduta. A tal ponto que muitos crentes sinceros, mas negligentes quanto ao conhecimento das Escrituras, têm se deixado enredar “pela astúcia de homens que induzem ao erro” (ef 4:14).


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sexta-feira, 4 de junho de 2010

Parábola do Bom Samaritano


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Parábola “O Bom Samaritano”
Texto Lc 10:25-37

INTRODUÇÃO
Jesus viajava com seus discípulos, e muitas coisas lhes ensinava pelo caminho. E por diversas vezes usou parábolas para exemplificar algo que queria que eles compreendessem. O texto que estudaremos hoje, é conhecido como a Parábola do Bom Samaritano. Mas, Segundo Dr. H. Lockyer, alguns autores questionam se esse texto encaixa-se na definição das parábolas convencionais proferidas por Jesus, pois não faz uso de simbolismo, antes, expõe um exemplo concreto. Seria uma parábola representativa e não simbólica. Jesus não usou símbolos e sim um fato real.

Conversava Jesus com seus discípulos, quando um judeu intérprete da lei, como tantos outros já tinham feito, também ele quis pôr o Senhor à prova. Mas, quem poderia ser esse homem? Um doutor da Lei, era a profissão de quem ocupava-se com a Lei de Moisés, interpretando e orientando os leigos de como relacioná-la com suas vidas particulares e de como proceder no dia-a-dia.

Normalmente eram chamados escribas. Os escribas tinham como tarefa principal copiar as Escrituras, classificar e ensinar os preceitos da Lei de Deus. Tinham autoridade para credenciar outros para o cargo, quando concluíam os estudos exigidos.

Poderia também ser um Fariseu. Sendo membros de uma seita restrita, tinham a si mesmos em alta conta. Cheios de justiça própria, consideravam-se superiores aos demais por acharem-se mais virtuosos e zelosos, sem contudo, possuírem consciência de pecado e sentimento de amor ao próximo.

Querendo, então, provar a Jesus, perguntou o que deveria fazer para herdar a vida eterna. O seu questionamento era acerca de alguma obra que o qualificasse para entrar na vida eterna. Legalista, queria incluir os méritos pessoais para obtenção de crédito diante de Deus – Obras X Graça.

Jesus retorna a pergunta a quem deveria saber a resposta. Usou da mesma linguagem usada pelos escribas e doutores: “Como lês tu?”. A isto o doutor respondeu corretamente, pois tinha o conhecimento intelectual de Deus e Sua lei. Foi confrontado por Cristo, que conhecia o seu coração, tornando claro o que na sua consciência ele já sabia, mas por não praticar, queria argumentos que o autorizasse a continuar com sua religiosidade superficial.

O que disse a resposta divina? Proferiu a parábola conhecida como “O Bom Samaritano”.


A PARÁBOLA
A situação narrada pelo Senhor ocorreu em algum trecho entre os 24 Km que separam as cidades de Jerusalém e Jericó. A Estrada situava-se em um vale rochoso e perigoso, e era freqüentada por ladrões e assaltantes. Talvez por isso tenha recebido o nome de Adumim (Js 15:7; 18:7), ou passagem de sangue.

A história começa com “certo homem”. Não há maiores informações sobre ele. Talvez fosse um comerciante judeu, que fazia o percurso por essa estrada. Pode ser uma pessoa comum do povo, que viajava e foi assaltado, espancado por ladões e deixado na estrada, quase morto.

Passando por ali, um “sacerdote”... Um membro da religião judaica, líder espiritual, profundo conhecedor da lei e do serviço sagrado. Obrigado pela lei, e pelos seus votos a agir com misericórdia até com os animais (Ex 23:4,5), deixou o homem prostrado. Deve ter pensado consigo mesmo: “Um outro cuidará dele...”. Não considerou que sua omissão poderia ser a diferença entre a vida e a morte daquele homem caído à beira da estrada. Havia deixado Deus no primeiro degrau de saída do Templo. Talvez muito apressado por chegar em casa e cuidar de outros afazeres pessoais.

Depois, passou um “levita”... Um judeu da mesma tribo dos sacerdotes, também escolhidos por Deus para servir no Templo e ministrar a adoração. Também este deixou sua fé no Templo, ao terminar de ministrar o serviço sagrado. Talvez tenha ouvido os gemidos de dor do homem ou até um pedido de socorro, mas que não tocaram o seu coração. Também deixou o homem prostrado e em seu coração pode ter pensado: “Não o conheço, não é problema meu...”

Por fim, passou um samaritano. Eles não eram considerados judeus puros de raça, pois era um povo judeu que se imiscuiu com gentios. Tinham sérias rivalidades. Certa vez não permitiram que Jesus pernoitasse em sua aldeia (Lu 9:52-54). Este homem, porém, viu a necessidade do outro, pois ao ver o viajante caído, compadecido, aproximou-se e cuidou dele. Dedicou seu tempo em ajudar, talvez o atraso na viagem até tenha lhe causado algum prejuízo. Gastou bens pessoais, servindo ao outro – o azeite e o vinho de seu consumo e o dinheiro dado ao dono da estalagem. Empenhou sua credibilidade, pois se comprometeu a arcar com as possíveis outras despesas que fossem necessárias para curar o homem machucado. Foi solidário com o infortúnio daquele homem.

Ao terminar de proferir a parábola, Jesus devolveu a pergunta àquele que deveria saber por si só a resposta e perguntou: Qual destes três te parece ter sido o próximo do homem que caiu nas mãos dos salteadores? Ao que respondeu-lhe o intérprete da Lei: O que usou de misericórdia para com ele. Jesus, então, encerrando a conversa, lhe disse: Vai e procede tu de igual modo.

CONCLUSÃO

No Conceito Secular, Solidariedade significa laço ou vínculo recíproco entre pessoas, responsabilidade mútua ou interesse comum, sentido moral que vincula o indivíduo aos interesses dum grupo.

No Conceito Bíblico, a Palavra Solidariedade não existe nas Escrituras. Quando o texto bíblico refere-se a um comportamento solidário, a palavra usada no grego foi, respectivamente: Eleos – referindo-se ao sentimento de compaixão (ajudar), como em Lu 10:37 – O bom Samaritano. Oiktirmos – Dó ao ver o infortúnio de outra pessoa (compadecer-se), como em Lu 6:36 – As Bem-aventuranças. E Splanchna – referindo-se à sede das emoções, o que chamamos de “coração” (ter misericórdia), como em Mt 18:23-35 – O Servo incompassivo e Lu 15:11-32 – O Filho Pródigo.

A palavra “eleos” e seus derivados, quando vistos à luz de um fundo histórico, no pensamento hebreu do V.T., baseiam-se em conceitos legais, e foram traduzidos por:
Hesed - significando “comportamento correto segundo a aliança”. A “solidariedade” que os participantes da aliança devem um ao outro. Uma Aliança pode ser feita entre partes iguais ou pode ser feita por alguém que está mais forte nela que o seu parceiro. Em qualquer caso, pode ter como resultado a ajuda que uma parte dá a outra, na sua necessidade. Por causa da superioridade de Jave como parceiro da aliança que permanece fiel, Seu eleos era entendido, de modo geral, como dádivas graciosas.
E Sedãqãh – significa que a Sedãqãh de Deus entra em ação favorecendo o Seu povo. Assim como Jave aplica com misericórdia a lei da Sua aliança, assim também pode ser empregada para a bondade, a caridade e até esmolas humanas, quando estas se conformam com o padrão da Lei.

À luz desses conceitos podemos deduzir que o intérprete da Lei que argüía a Jesus,também chamado pelos evangelistas de fariseu e escriba (Mt e Mc), talvez fosse um sacerdote ou um levita (Lu), ou seja, tinha por obrigação legal conhecer a lei e por obrigação moral de aplicá-la em sua vida, para poder ensinar aos outros. O que ele demonstrou estar despreparado.

Assim como hoje, muitos cristãos que professam conhecer a Cristo como Salvador, têm a obrigação de conhecer Sua Palavra e viver uma vida piedosa que mostre ao mundo serem novas criaturas. Mas o que vemos cada vez mais são pessoas cujo coração está longe de conhecer ao Senhor, que são indiferentes com o próximo.

Lembro-me de um fato recente, que me foi contado. Um casal saiu para passar o fim de semana fora e ao retornar no domingo à tarde, encontraram a casa com a porta da frente aberta e faltando vários eletrodomésticos da casa. Ao perguntarem aos vizinhos se haviam visto algo, qual não foi a surpresa! Sim, Viram um carro parado, por volta de 20:00h do sábado, colocando a TV de 47” – uma TV de quarenta e sete polegadas! – de forma bastante rápida na carroceria. Mas não tomaram nenhuma atitude. Imagine! A casa no escuro, pessoas praticamente fazendo a mudança de forma suspeita... E não era da conta deles... e se houvesse alguém rendido em casa? Mas não se dignaram a chamar a polícia. Nenhuma atitude. Se eles são evangélicos? Não sei. Mas o que importa é tomar como exemplo e não nos deixar levar por esse mesmo espírito de indiferença.

A pergunta do intérprete da Lei tinha por objetivo justificar-se em sua consciência de judeu religioso, achando que a salvação era só para eles e que pelo fato de serem praticantes de uma religião estariam justificados diante de Deus. Oh! Quanto engano. Jesus nos disse que se a nossa justiça não exceder em muito a dos escribas e dos fariseus (profundos conhecedores da lei), não entraríamos no reino dos céus (Mt 5:20). Aquele homem deve ter compreendido perfeitamente o ensino de Jesus, pois acusado por sua consciência, calou-se e nada mais Lhe retrucou.

E nós, como temos nos comportado diante destes ensinamentos? Não devemos pensar jamais que somente frequentar os templos, conhecer os jargões evangélicos, hinos ou até trechos da Bíblia serão suficientes para sermos contados entre os salvos. Muito menos as nossas boas obras de caridade nos justificarão diante de Deus. Mas, um arrependimento sincero de nossa natureza e vida de pecados e a confiança firmada na Obra salvífica de Jesus Cristo.

Agora sim, justificados pela fé, em paz com Deus, somos novas criaturas criadas para as boas obras (Rm 5:1; Ef 2:1-10). O nosso próximo será sempre qualquer pessoa que precise de nossa misericórdia e ajuda, e isso independente de raça, religião ou cor.
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